Por que somos irracionais de forma previsível

Resumen

Sair de uma sala de cinema a meio de um filme horrível parece simples, mas quase ninguém o faz. Esse pequeno gesto revela algo enorme sobre o comportamento económico: somos irracionais, mas de uma forma previsível, e entender essa previsibilidade é a chave para tomar melhores decisões financeiras e de consumo.

A economia comportamental estuda exatamente isso. E a boa notícia é que, se conseguimos medir os nossos desvios, também os podemos usar a nosso favor.

Por que ficamos numa sala de cinema mesmo odiando o filme?

A resposta tem nome: custo de oportunidade. Ficar sentado durante duas horas a ver algo que não gostas significa abdicar de tudo o que poderias estar a fazer nesse tempo: passear, jantar fora, ver outro filme.

Mesmo assim, ficamos. Porque já pagámos o bilhete, já temos as pipocas, já estamos confortáveis, e dá-nos vergonha sugerir ao acompanhante que saiamos. Esse comportamento mostra que decidimos com base em custos já gastos e em pressão social, não no que nos beneficia daqui para a frente [00:30].

O que é o custo de oportunidade? É o valor da melhor alternativa que deixas de fazer quando escolhes outra coisa. Se ficas duas horas num filme mau, o custo de oportunidade é o jantar, o passeio ou o filme bom que poderias ter aproveitado.

O que significa ser racional para a economia?

Quando falamos de racionalidade no sentido amplo, até os macacos rezos entram na definição. Por isso, os economistas usam dois critérios mais apertados para distinguir uma decisão racional [01:30].

  • Consistência lógica: se preferes maçã a pera, e pera a banana, então deverias preferir sempre maçã a banana.
  • Otimização: escolher, entre todas as opções disponíveis, aquela que melhor te aproxima do teu objetivo.

O problema é que nós, humanos, falhamos nos dois. Podes ter uma ordem clara de preferências e, ainda assim, num dia qualquer, escolher a banana em vez da maçã. E parece-te perfeitamente normal, embora não seja logicamente consistente.

Como é que a irracionalidade aparece nos investimentos?

Um estudo analisou um fundo de investimento focado no SP500, o índice das empresas mais importantes dos Estados Unidos. O resultado foi claro: as ações mais compradas eram as que mais apareciam nas notícias, como Apple, Google ou Facebook [02:50].

E aqui está o detalhe incómodo: essas ações tinham comissões mais elevadas e, no fim, davam um rendimento final menor. Ou seja, os investidores não escolhiam pelo retorno; escolhiam pela familiaridade. Isso é o oposto de otimizar.

O SP500 é uma boa referência para investir? Sim, é o índice das maiores empresas dos EUA e funciona como termómetro do mercado. Mas comprar só as ações famosas dele costuma sair mais caro e render menos do que diversificar.

Como podemos usar a irracionalidade previsível a nosso favor?

A irracionalidade humana não é caos. É mensurável e precisa, o que significa que podemos antecipá-la e desenhar produtos, plataformas e decisões que tirem partido desses padrões [03:30].

Pensa no projeto Platzi Meta, onde os utilizadores poderão comprar roupa para os seus avatares. À partida, as grandes marcas levam vantagem sobre os criadores pequenos só pelo efeito de notoriedade, o mesmo viés que vimos com Apple ou Google nas ações.

A pergunta é: como equilibrar o jogo? Algumas ideias para discutir:

  1. Destacar criadores pequenos numa secção fixa antes das marcas grandes.
  2. Usar provas sociais locais, como avaliações de outros utilizadores próximos.
  3. Reduzir comissões para designers independentes para baixar o preço final.

Conta nos comentários o que farias tu para dar mais poder aos pequenos criadores nesta plataforma. Quero mesmo ler as tuas ideias.